segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ata sobre a Leitura da Metafísica de Aristóteles (2)

Local: Sala no 15º Andar do CFCH
Data: 29/09/2008 às 10h (3º Encontro)

Livro A (primeiro)

A sapiência e o conhecimento das causas

Início: pág.5 – 981ª - 10 (Reale)
Término: pág.7 – 981b - 10 (Reale)

Como nenhum Prof. estava presente, os alunos fizeram a leitura e registraram os seguintes pontos/dúvidas:

- Não existe a possibilidade de se desassociar o conhecimento dos particulares (experiência) ao conhecimento dos universais (é a arte).
- Na graduação da sabedoria/saber, os que dominam o conhecimento do "porquê" e da causa são possuidores de mais conhecimento e são mais sábios, pois são possuidores de um saber conceitual. Têm capacidade de abstração.
- Transmitir experiência (indutiva/repetitiva) é ensinar?
- O que é ensinar?

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Ata sobre a Leitura da Metafísica de Aristóteles (1)

Bibliografia Utilizada:

1) REALE, Giovanni; Aristóteles Metafísica; Loyola, SP; 2005 - Reale
2) Aristóteles (Pensadores) – Metafísica I e II; Tradução do grego por Vicenzo Colco e notas de Joaquim Carvalho – Abril – SP – 1ª Edição - 1973

Local: Sala no 15º Andar do CFCH
Data: 22/09/2008 às 10h (2º Encontro)

Livro A (primeiro)

A sapiência e o conhecimento das causas

Início: pág. 3 - 980ª (Reale)
Término: pág.5 - 981ª – 10 (Reale)

Ficou estabelecido pelo grupo que a cada encontro será elaborada uma Ata cujo objetivo é registrar os principais pontos discutidos e principalmente que fixar as idéias. Esta tarefa será feita de forma voluntária pelos membros do grupo.

Após a leitura do primeiro parágrafo foi feito o seguinte resumo sobre a graduação do conhecimento:


Graduação do conhecimento


Sabedoria
1º) Sensação
2º) Experiência
3º) Arte e ciência
São os três níveis das ciências:
a) Ciências práticas: satisfazer necessidades
b) Ciências práticas: prazer e qualidade de vida
c) Ciências teoréticas


O objetivo de Aristóteles, com essa divisão, é estabelecer um arcabouço dessa sabedoria (de uma forma geral, o conhecimento dos princípios – dos próprios princípios). O modo como o conhecimento vai se ordenar pressupõe o conhecimento desses princípios, fazer essa ordenação é uma forma de já direcionar o pensamento para ciência da sabedoria. A sabedoria como ciência.

Embora a sabedoria seja uma qualidade comparativa, ela cresce na medida em que se desloca das sensações às ciências teoréticas. A competência das "ciências teoréticas" é que se pode dizer que é um sábio (não num sentido absoluto) pois, em cada "grau" (sensação, experiência, etc.) pode-se ser sábio. Sabem mais quem são mais sábios, não existe o sábio, existe alguém mais sábio.
Entretanto quando estamos falando de um nível bem superior de conhecimento, aquele que tem um conhecimento teórico da realidade, é quem podemos dizer que é propriamente um sábio, pelo menos no sentido que vamos trabalhar na filosofia.
É esta discussão da sabedoria que está no cerne da palavra filosofia, que dá sentido a palavra filosofia. A filosofia é uma atividade humana e como atividade humana não pode ser perfeita. A sabedoria é uma atividade divina.

Conhecer x Saber

A diferença de um conhecimento para uma sabedoria; a sabedoria supõe uma ordem desse conhecimento. O saber é algo mais englobante, mais exaustivo, o conhecimento é algo mais possuidor, algo de que se toma posse, que se tem acesso.
O poder de ensinar não passa pelo conhecer, ensinar é levar uma pessoa a ser independente do ponto de vista intelectual.

Experiência

Aristóteles cria uma tensão entre as ciências práticas e teóricas onde para as ciências práticas a experiência é fundamental.
A experiência é uma regra de caráter prático, que permite atuar de modo semelhante ante situações particulares semelhantes (+/- indução). A experiência é resultado de um processo indutivo. Para Aristóteles, graças a experiência, o homem deixa de estar a mercê do puro azar/sorte.
A sensação está diretamente relacionada com os sentidos e sendo ela o primeiro grau para a aquisição do conhecimento, destacamos a importância dos sentidos para esta tarefa. Dentro dos sentidos concluímos que a visão é mais exaustiva, enquanto a audição (própria da memória) é fixadora.
Para Aristóteles o homem é determinado pela felicidade (na polis) e o conhecimento é um ingrediente fundamental para esta felicidade. Um homem feliz é um homem sábio.

Técnica x Arte

Foi discutida a diferença entre a técnica e a arte (no sentido contemporâneo). A primeira é aquela que capacita o indivíduo a executar uma tarefa (know-how/saber como) enquanto a segunda seria relacionada com a estética, embora atualmente ainda se utilize a palavra arte para se referir à técnica. Este know how é derivado da experiência.
Poíesis, tekhné e praxis são três conceitos filosóficos gregos que se referem às ciências práticas, mas cada um de uma forma diferente: tekhné (a "arte" do ponto de vista técnico) é conhecimento especializado (ter conhecimento sobre as tintas, suas misturas etc.) sobre determinada coisa, é saber como fazer; poíesis é a "arte", do ponto de visto estético (saber pintar o quadro); a práxis é a atividade em si, a atuação.
O que é remédio e o que é veneno se sabe pela experiência.
A experiência é a universalidade das regras e tomar essas regras e aplicá-las (nas causas).